quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pela Chiquitânia para fronteira


San José de Chiquitos - Roboré - Puerto Quijarro, Departamento Santa Cruz, Bolívia

Chegou o dia de despedida com a Chiquitânia. A cidade San José de Chiquitos fica quase no meio caminho entre a maior e mais importante cidade boliviana, Santa Cruz de la Sierra e Puerto Quijarro (principal ponto de fronteira com o Brasil). Mais exatamente, 280 km ao leste da primeira e 380 km ao oeste da segunda, portanto, os famosos e lentos trens desta linha passam por aqui de noite. Mas a rodovia Santa Cruz - Puerto Quijarro foi completamente reconstruída nos últimos anos e ganhou boa pavimentação em toda a sua extensão, portanto a opção de ônibus e vans se tornou mais atraente. Além de ser bem mais rápida (e nada mais cara), oferece vários horários, inclusive a possibilidade de curtir paisagens viajando de dia.

Os escritórios das empresas e cooperativas de ônibus e táxis ficam em frente ao terminal ferroviário, e esta quadra não é longe do centro.


Distância pode ser avaliada pela imagem deste marco memorável, onde no fundo aparece o Campanário da Missão de San José.


Em duas quadras em frente a este ponto está o terminal ferroviário de San José.


E a sua vizinhança rodoviária também.

Na noite anterior fui buscar informações neste pedaço e acabei comprando uma passagem até Roboré (B$ 30), com saída às 8:30, o que significa por volta das 9 h, e com promessas de "Flota grande" e de conexão rápida para Puerto Quijarro ao chegar antes das 11 h.

Naquela noite observei também chegada do trem regional, de padrão mais simples e mais lento entre todos que circulam nesta linha. Era uma composição de locomotiva a diesel e 7 vagões, sendo 3 de classe econômica, 1 mais confortável, e mais 3 de correio e bagagem. Muita gente desceu para jantar no "comedor" da estação e nas suas proximidades, a parada era tão longa, que fui embora e escutei a partida adiante já do hotel.


O lado bom do transporte ferroviário é a sua previsibilidade (além de grande capacidade de passageiros, é claro). Nas principais estações da linha há quadro dos horários e das tarifas igual ao exposto no site da operadora - http://www.fo.com.bo/?TabId=59. Mas acontece que o tempo de partida das paradas intermediárias é omitido neste quadro, e estas paradas podem ser bem longas. Assim, aquele trem chegou direitinho às 18:28, mas às 19 ainda estava lá, e depois andou mais de 4 horas até Roboré, o que hoje em dia é uma aberração, a distância é de apenas 130 km.


Os vagões mais simples ("Primeira classe") eram assim como este solto aqui.

Aconteceu que "flota grande" não foi requisitada nesta vez, e acabei embarcando em um dos carros que estavam parados na rua. Partimos de San josé por volta das 9 h, como previsto, logo já estamos na estrada.

Pavimentação de concreto, excelente, estrada muito boa, quase sem movimento, rodagem tranquila, 90-110 kmh. Na primeira meia hora o motorista mostrou habilidade ao desviar de um animal silvestre que cruzava a pista. Episódio serviu também como demonstração de utilidade dos freios ABS. 2 km depois apareceu um sinal de transito com foto preto-amarelo em perfil daquele mesmo veado. Depois outro sinal, com boi grande, e logo dois bois parados no meio da pista.


Na meio do primeiro trecho as paisagens ficaram mais interessantes, passamos perto de Chosis, distrito de Roboré, um novo destino de ecoturismo. Passamos bem perto das "serranias".


Uma vez paramos no pedágio, do tipo já encontrado nas estradas de terra entre San Matias e San José. Também sem cancela e com um guichê ao lado da estrada, motorista tem que descer e ir pagar naquela casinha. A diferença é que na pista pavimentada houve redutores de velocidade e alguns cones na faixa central.

A cidade Roboré apareceu à esquerda da estrada. Não entramos no primeiro trevo, e nem no segundo. Paramos no terminal rodoviário ao lado do terceiro trevo, bastante longe da cidade. Chegamos às 10:30, como previsto.


Despedimos com o nosso transporte interurbano, que logo deixou o terminal.


E já nos primeiros passos fomos abordados pelos agentes das duas transportadoras, cujos veículos parados na mesma plataforma partiriam para Puerto Quijarro "ahora". Paguei B$ 50 e recebi um bilhete com partida às 14:00-14:30, depois vi que outra empresa deveria sair meia hora antes. Mas de fato, 2 carros saíram juntos, só depois de lotação total.

Portanto houve bastante tempo para ir até cidade, buscar internet e almoçar. Na falta de mototáxi fui andando, acho que passei meio do caminho enquanto apareceu um. O taxista até se prontificou de providenciar o troco (eu estava com notas de 50, e corrida custava 5), para esta finalidade ele parou em uma loja. E logo me deixou na praça central.


A Roboré não perde para outras cidades que conheci em cuidados com turistas.


A praça é de bom tamanho e bem cuidada, há vários monumentos neste espaço verde.



Simpático telefone, com famoso Cassino militar nos fundos.


Acabei aproveitando bem este clube dos quase colegas - Círculo Aeronáutico, com seu serviço de Internet, e com almoço servido no quiosque.


A igreja de Roboré parece foi construída no século 20, mérito de um padre austríaco.


Rua comercial a uma quadra da praça, duas pistas pavimentadas!


Mas é apenas uma ilha. O grosso da cidade parece assim, como bairro rural, ou de chácaras suburbanas.


Não encontrei algum terminal ferroviário, parece que trens param aqui mesmo, neste ponto a duas quadras da praça central.

Voltei para terminal rodoviário de mototáxi, que fez outro caminho, via trevo central, todo este eixo de acesso foi pavimentado. A cidade em geral deixou uma impressão positiva. Há forte presença militar e parece que quarteis ajudam a deixar tudo mais organizado.


A publicidade no terminal informa sobre combate à corrupção dos funcionários públicos e ajuda financeira da Venezuela nesta obra de infraestrutura.


Durante o meu castigo entre a chegada dos passageiros e partida do transporte, observei a caravana de dois ônibus grandes, vinda de Pto. Quijarro. TRANS BI-OCEÂNICA seguiu para Santa Cruz, e LA PERLA CHIQUITANA só até San José de Chiquitos.


Em quase uma hora de plantão na plataforma, vi ainda um ônibus menor, partindo para vizinha Santiago de Chiquitos, onde há mais uma missão jesuítica.

O embarque começou com pequeno atraso, depois rolou uma campanha para encher todos os assentos disponíveis. Finalmente, estamos a caminho, às 14:40. Segundo trecho do dia foi quase dobro do primeiro, 250 km. Demoramos também quase dobro. Estrada boa, com pavimentação de asfalto.

Na segunda metade entramos na cidade El Carmen, 2 ou 3 passageiros desceram.

Na parte final da estrada também houve pedágio, esse já pareceu mais estruturado. Pouco antes de chegada entramos também em Puerto Suarez, para deixar um menino e encomendas. Este trecho urbano pareceu pior da Bolívia: poeira, buracos, fumaça... E transito bem mais pesado que encontrava nos últimos dias.

No trevo de Pto. Quijarro o motorista perguntou se alguém queria ficar mais próximo a fronteira, ou pode ir direto para centro. Ninguém pediu tal desvio, e eu também não tinha preferência por onde procurar algum hotel. Acabei descendo junto com um dos passageiros mais experientes, no "LILOCO". Foi o melhor hotel nesta viagem, e não foi caro.

Depois de deixar coisas no apto. fui conhecer a cidade, já estava escurecendo e não levei a máquina fotográfica. Logo achei a avenida principal e o terminal ferroviário. Assisti o embarque dos gringos no "Ferrobus" para Santa Cruz, composição de 2 vagões motrizes, mais chique nesta linha. quem queser ver as imagens, pode pesquisar no Google com esta palavra chave.

Jantei em um dos "comedores" populares e fui dormir mais cedo, para dar uma mais volta na cidade pela manhã...

11.04. Antes de cruzar a fronteira, mais um city tour em Pto. Quijarro, com compra de lembrancinhas (mapas para novas viagens a Bolívia!). A principal atração da cidade é o seu terminal ferroviário. Inclui também o mirante da passarela sobre os trilhos.


Vista para próprio terminal.


Vista para montanhas no lado brasileiro.

Ao oeste da passarela fica a praça principal. Mas esta deixou a pior impressão entre todas as cidades que visitei: suja e quase sem gente, encontrei apenas dois mendigos bêbados brigando entre si. E a Catedral que olha nesta praça é bem simplista, prefiro deixar essas foto no álbum geral da viagem.


De volta ao lado leste, a avenida principal é paralela aos trilhos e já tem algumas quadras bastante arrumadas.


Visitando mais uma vez o próprio terminal.


O quadro de horários neste inclui também a outra linha da operadora, entre Santa Cruz e fronteira argentina (uma vez por semana só!).


A pintura do muro ferroviário é atraente.



A uma-duas quadras abaixo da estação (ao leste, no sentido do Rio Paraguai) fica o mercado, bem feio.


E mais abaixo, já na próxima quadra, o terminal de ônibus. Na verdade, é apenas um saguão com guichês das empresas, sem plataformas ao redor. Só alguns veículos menores conseguem encostar por perto.


E ônibus maiores se espalham pelas ruas próximas.



Na saída passam pelas vias não pavimentadas.


Até este importante cruzamento, dominado pela Armada Boliviana. Esta direção da avenida com pistas de concreto leva ao norte, para centro. Para sul se chega ao ponto de fronteira. Indo para oeste, atravessa a ferrovia e segue para estrada de Santa Cruz.


E no sentido leste está o rio Paraguai. Alias, o meu hotel também aparece ai. Recomendo este LILOKO, com bom custo-benefício. Os aptos. de andar superior têm ar condicionado, no térreo sem ar cond. e mais baratos. Não serve café de manhã (é comum isso na Bolívia), mas no frigobar há bebidas geladas com preços econômicos, inclusive cerveja La Paceña, bem superior em comparação com atuais padrões brasileiros. Há muitos mototáxis que por B$ 5 levam deste pedaço ao ponto de fronteira.


Nas proximidades da divisa bastante agitado nesta hora.


Para deixar a Bolívia legalmente (bem como para entrar), é necessário encarar esta fila de "Migración", gastei uns 40 minutos aqui.


Mais alguns passos, e estarei de novo no Brasil.


No lado brasileiro também há controle de migração. E este consegue criar uma fila ainda maior, mas só para não residentes. Os cidadãos e residentes passam mais rápido na outra porta.

Logo na frente há ponto de ônibus, mas a frequência desta linha urbana de Corumbá é baixa. Em compensação, também há mototáxi que levam ao centro rapidinho, mas já por preços brasileiros...

Fotos do autor
Atualizado 30.07.2013


...cartão de visita Missões jesuí­ticas de Chiquitos, BOLÍVIA
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