domingo, 18 de maio de 2014

Encontro com os condors

PN Quebrada del Condorito, Prov. Córdoba, Argentina
PN Quebrada del Condorito no portal turístico da Província Córdoba
Coordenadas do cânion


Visitei este local no dia 11 de julho de 2012 e confirmo a lenda do condor: realmente é uma ave muito grande, até enorme, com asas fortes, bem projetadas e com forte mecanização, que sabe muito bem aproveitar as correntes acendentes de ar aquecido nas paredes rochosas de montanhas expostas aos raios solares.



E ainda fiz esta descoberta surpreendente para muitos: para observação de condores não há nenhuma necessidade de ir até o gigante Cânion Colca no Peru e ficar madrugadas e dias de plantão, com binóculos e com canhões fotográficos. É muito mais prático ir direto a este Parque Nacional argentino, apenas a 90 km de Córdoba e de fácil acesso, e curtir esta escola de voo "Desfiladeiro de Jovem Condor" (tradução literal e fiel do seu nome). A tal entidade de ensino primário nem se encontra na Cordilheira de Andes, fica a quinhentos quilômetros ao leste da mesma, nas "Sierras Grandes de Córdoba". Sem problemas, os condores não têm apegos geográficos, eles vivem onde há condições, só fazem questão de altitudes entre 1000 e 5000 metros acima do nível do mar.

O cânion é estreito, no máximo 1600 metros de largura, com 800 metros de profundidade, e com bichos bem mais sociáveis do que no Peru. O seu nome diz verdade é uma "escola de voo" para jovens, que buscam as correntes ascendentes do ar com assistência dos experientes. E são bastante curiosos, passam perto para ver os turistas.


Os condores estão presentes neste lugar quase sempre, pelo menos, nos dias de sol aberto. E podem ser observados com facilidade, a partir dos pontos preparados para isso, como este "Balcón Norte".



Nestas distâncias os grandes pássaros podem ser vistos sem aparelhos óticos.


Os condor também sabem voar em grupo, mas não em formação de cunha ou em bandos, e sim, formando uma espiral ascendente.

Enquanto os condores experientes ("instrutores de voo") evitam se aproximar aos chamados seres humanos, os estudantes jovens costumam ser mais ariscos, por pura curiosidade.


Aqui um desses busca a corrente acendente em baixo, e pode ser visto iluminado pelo sol com fundo de sombra, um pouco à esquerda da cachoeira. Depois subirá escondido dos observadores, ao lado do abismo aos pés deles.


E, sem bater asas, logo aparece bem próximo, passando por cima das cabeças.




Nestas fotos aparece também outro ponto de observação, "Balcón Sur", e o seu acesso pela ponte sobre o Rio del Condorito.


Os condores costumam fazer voltas mais perto de lá, mas a visão já será contra o sol.

A estrada de Córdoba a este parque nacional é asfaltada, nos 30 quilômetros iniciais duplicada e completamente iluminada, portanto rápida. Nos outros 60 é mais estreita e sinuosa: no início atravessa Sierras Chicas, depois faz num vale, e finalmente sobe as Sierras Grandes. Este trecho é muito bonito e faz parte da lista "MARAVILLAS DE CÓRDOBA", bastante popular nesta Província.


Neste local há uma parada de ônibus e o ponto de apoio, com sanitários, lanchonete e informações sobre os condores e o parque nacional.



É um bom lugar para descansar antes das caminhadas nas montanhas, e para ver os condores de perto, mansos e quase vivos.

Os que chegam de ônibus continuam caminho pela trilha daqui mesmo, uns 3 km até a portaria do parque nacional. Já de carro chega a esta portaria seguindo em frente pela rodovia mais algumas curvas, e depois virando à esquerda pela estrada de terra.


A entrada é franca e a contratação de guia não é obrigatória, mas há registro de entrada e de saída.

A trilha é fácil, bem identificada, 1 hora de ida e 1 de volta. Passa nas altitudes por volta de 2000 m, há outros lugares bonitos no caminho. Até há opção de ir de bike, com desvio de alguns trechos mais íngremes.


É menos de 6 km entre a portaria e fenda nas montanhas onde voam condores.


Antes de último trecho da trilha abre ótima vista do vale e da represa Dique Los Molinos.


As placas informativas nas trilhas informam sobre perigos de encontro com onças pardas ou com cobras venenosas. Quem anda em grupos com acompanhamento de guia, pode escutar contos interessantes, ilustrados com excrementos das feras bem sobre a trilha, e ainda com vestígios de pelos das vítimas. e sem guia corre risco de passar sem perceber o drama, como que fosse uma merda qualquer.



Há também antigas armadilhas para lobinhos "zorro", deixados pelos servidores rurais da Companhia de Jesus, expulsa das colônias ainda em 1767.

Paisagens bonitas

Rios e córregos límpios


No inverno há formação de gelo, mais expressiva em locais de sombra permanente.

E, com certeza, há muito outros pássaros, não só condores.

Este lembra alguns moradores do Hemisfério Norte.


A patrulha sanitária dos pontos de observação limpará todas migalhas dos lanches e dos biscoitos.


As perdizes correm para fora das trilhas ou decolam com muito barulho..


Mas os parentes mais próximos do condor preferem voar alto.


E mais alto ainda passa o B-777 da TAM, aquele mesmo voo JJ8027 Santiago - São-Paulo, graças a qual tomei conhecimento deste lugar dois meses antes.

As vistas pela janela de avião que me inspiraram para viagem pela Argentina Central podem ser apreciadas nestes álbuns:
JJ8026 GRU - SCL
JJ8027 SCL - GRU


Fotos do autor.
Atualizado 18.05.2014


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