segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Trans-siberiana, 7-o dia: Olá, Baikal!

Ref.: Irkutsk - Listvyanka - Baikal 

...O dia começou quase como todos os outros dessa viagem - no trem. Trecho Tchita - Irkutsk, nossa quarta pernoite nos vagões da Trans-Siberina, e última na 3-a classe. Ainda faltam outras quaro noites, mas na segunda metade queremos subir um grau de conforto e depois do Lago Baikal seguiremos na 2-a classe. Sim, hoje teremos prazer em conhecer este lago gigante e transparente, Patrimônio de Humanidade (um dos 25 objetos tombados pela UNESCO na Rússia, a parte brasileira dessa lista conta 19). Foi excitante, esta maravilha cumpriu todas as promessas, naquele dia e no dia seguinte curtimos o Baikal em todo seu esplendor.



Mas cores como essas - só depois do meio-dia, quando chegamos à origem do rio Angara, próximo à Listvyanka. Mas agora ainda acordamos de ansiedade: não podemos perder a aurora deste dia. O horário do trem foi cuidadosamente escolhido assim que primeiros raios do sol devem aparecer no início do longo trecho onde trilhos seguem pela margem do lado.

...Então, já clareou? Ou apenas imaginamos? Clareou mesmo, mas sem firmeza. O dia começou com nuvens densas e chuva fina. Mas o Lago já está aqui, ao nosso lado. quer dizer, sempre estava aqui, mas nós finalmente chegamos até este lugar, e estamos do lado certo do vagão.




Foi incrível, e a chuva não abalou o nosso astral. É lógico que chuva deve cair de vez enquanto, nada contra que isso ocorra nas horas de viagem de trem, assim teremos bom tempo ao desembarcar, e nada de seca também, temperaturas amenas. .Já visitamos três cidades e o cenário foi mais ou menos esse.  E temos certeza que em 2 dias  veremos também o lago Baikal bem ensolarado.

Então, é hora de curtir as ovas paisagens. A ferrovia repete todas as curvas da linha costeira.



Muitas pontes. Atravessamos pequenos rios límpidos que correm para lago das montanhas próximas. tudo isso impressiona... E a chuva aos poucos se esgotou.  As nuvens começaram se desmanchar, e o primeiro raio do sol atingiu a superfície de água mais ou menos no meio da nossa corrida beira lago que durou uns três horas.



A margem oposta apareceu, depois ficou mais nítida e continua a se aproximar.



Já estamos contornando a ponta sul do lago, os reflexos do sol na sua água ganham mais alegria.

Depois a via se afasta um pouco, mas logo vira, sobe, passa por um túnel, e temos outra vista ao lago.



Por pouco tempo. Andamos até Irkutsk por mais uma hora e meia, tudo foi verde e bonito: terreno montanhoso, muitos rios. Depois - subúrbios desta importante cidade, suas ruas e avenidas...



E de repente - brilho ofuscante do Rio Angara, no outro lado - o centro histórico da cidade. Quer izer, estamos chegando, e deixaremos o trem em poucos minutos.



O tempo está melhorando muito rápido, mas a temperatura ainda não é para nadar. Logo depois que saímos para esta praça do terminal ferroviário, aqui parou um imponente jipe. Colega do nosso sobrinho que trabalhou nesta região alguns anos nós levou para hotel na beira lago, reserva foi feita pelo próprio sobrinho, a gosto dele. Em uma hora de rodagem tranquila e confortável chegamos, finalmente estamos no lago Baikal a sério, e não de passagem.

De fato, esta água em frente ao hotel pertence ao lago até uma linha imaginária onde começa o rio Angara.



Angara  - único rio que sai (aqui mesmo!) do lago Baikal, alimentado por centenas de outros rios menores. é um dos mais importantes rios da Rússia e da Eurásia, embora deságua no outro rio - poderoso Enissey. Neste percurso de quase 2 mil km desce uns 380 metros, e gira turbinas de 4 usinas hidrelétricas de grande porte (mais potentes que qualquer análogo na Europa).

Agora aqui é tranquilo, até muito calmo, mas a tentativa de um famoso escritor atravessar este rio de barco pequeno no meio de tempestade acabou em tragédia.  O marco memorial lembra disso.

Mas não temos planos de navegação por aqui, deixaremos este hotel em 24 h e queremos aproveitar esse tempo para boas caminhadas, curtindo as vistas do lago.

O novo amigo promete voltar com jipão dele amanhã, meio-dia em ponto, e ainda mostrar a toda cidade de Irkutsk no caminho para terminal ferroviário - embarcaremos no outro trem já à noite. Perguntamos ele sobre melhor direção para caminhadas de hoje, e ele ofereceu carona para ponto final da rodovia em Listvyanka. Não foi bem a caminho dele - retorno para Irkutsk, mas para nós serviu como um pequeno city-tour, e as suas dicas ajudaram a  aproveitar bem nossa caminhada de retorno.

A partir desse lugar - ponto final das vans Irkutsk - Listvyanka, e parada obrigatória para comboios de casamento.



Assim, ganhamos mais tempo para curtir os mais interessantes pontos no nosso caminho.



A programação começou na impressionante feira de artesanatos. Se divertimos muito, mas compramos pouco - algo leve e inquebrável, conforme à tradição mochileira. E logo seguimos para praia do lago - molhar pés e almoçar om ótima vista.  O cardápio é uma das atrações regionais - peixe endêmico defumado, regado ao cereal líquido.



O alimento cultural encontramos já na próxima quadra - show das focas mais inteligentes do mundo. São endêmicas também, chamam-se "nerpa", e se apresentam em instalações temporárias montadas no verão. Uso de câmaras e filmadoras foi expressamente proibido, e nem pensaria nisso - foi muito divertido, acompanhava de boca aberta. Depois de sair para fora encontramos outra feirinha de lembranças e entendemos que já compramos as melhores  - pequenas nerpas de pelúcia.

Outra tentação - passeios de barco.



Mas não houve saídas para excursões curtas no dia, e para longas voltaremos na outra viagem. É só escolher uma boa semana nesta ou na próxima encarnação (já combinamos que viajaremos juntos pelo menos mais uma).



Caminhando para boca do rio Angara pela única rodovia de Listvyanka.



Do lado esquerdo - esplendor da águas, e algum movimento de transporte também.



Do lado direito - novinhas lojas de retro-artesanatos monumentais.



E também verdadeiras obras da arquitetura tradicional siberiana. Esta igrejinha se encontra a algumas quadros bairro adentro.



Mais um show nesta pequena praia de cascalho. Mais aqui tudo ao contrário: no lugar de focas que graciosamente ganharam dinheiro há desajeitados turistas que gastam feio. Vestido de traje de mergulho, com cilindro de ar comprimido eles ficam no lugar raso e aprendem a pensar que se tornaram "divers".  



Continuando a nossa marcha, as vistas são cada vez melhores... Já na reta de chagada para hotel mais uma boa surpresa - o Museu de Baikal, que nem anotamos ao passar de carro. E há ainda uma hora de expediente de hoje, justo o que precisamos para visitá-lo.




Foi muito informativo e interessante. E nem tanto focado em focas e peixes, os felinos residentes na região impressionaram também.

O dia caminha para seu final, e nós já chegamos para nosso hotel. Em frente do qual encontramos o maior daqueles mercadinhos na beira da estrada que vendem peixes defumados: a frio, a quente, várias espécies - exclusivamente locais, ou conhecidas em toda a Eurásia.



Isso foi uma sentença para nosso jantar que tomou a forma de degustação comparativa das delícias do gênero. Umas parecidas com o que já experimentamos no almoço, outras - exatamente aquelas sobras das compradas nos lagos de Tchita ontem (que comemos hoje com café de manhã no trem, já olhando para Baikal).



Um merecido relaxamento para pés, com temperatura de 4 C da água na junção Baikal - Angara, mergulhar por completo seria um pouco arriscado.

E ainda curtimos bonito e muitíssimo demorado pôr do sol ao lado desta maravilha de Baikal.



O maior em volume de água (limpinha) lago do mundo, Patrimônio Natural de Humanidade...

Foto do autor.
Atualizado 29.12.2014

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